Banco Central (BC) reduz a Selic
O Copom do Banco Central (BC) reduziu a Selic de 12,75% para 11,25% e com isso após encerrada a reunião os bancos Bradesco, Unibanco, Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e o Santander divulgaram novas taxas.
O Brasil segue na liderança isolada entre os maiores pagadores de juros do mundo, nem com o corte de 1,5 pontos no juro básico, impensável há uma semana foi capaz de ajudar o Brasil. Segundo o ranking elaborado pela consultoria UP Trend, a taxa acima da inflação prometida para os próximos 12 meses está em 6,5%. Em segundo lugar vem a Hungria com 6,2% e em seguida a Argentina com 4,3%.
No entender da LCA Consultores, o comunicado da decisão trouxe redação mais cautelosa, ” provavelmente porque o BC quer evitar que se forme um consenso de mercado de que novos cortes agressivos estão por vir ” . A curva projetada para a Selic foi mantida pela consultoria, prevendo uma redução adicional de 0,75 ponto em abril e a sua posterior manutenção em 10,5% ao ano por vários meses. ” Vale alertar, todavia, que parecem vir aumentando as chances de que um relaxamento monetário maior do que ora prevemos venha a ser implementado ” , reconhece ela.
Entidades do setor produtivo divulgaram notas cobrando posturas ainda mais ousadas do BC para enfrentar a crise. Para Fecomércio, o Copom deveria ter sido mais audacioso na decisão de corte da taxa básica, em razão do agravamento do ” processo crítico ” da economia mundial e brasileira. ” A redução foi insuficiente. O cenário internacional está pior do que o BC tinha por hipótese meses atrás. Outros Bancos Centrais já reduziram suas taxas para algo próximo de zero. Nós ainda estamos em dois dígitos ” , diz Abram Szajman, presidente da entidade.
A Força Sindical diz, em nota, que a decisão do Copom é ” nefasta para os trabalhadores ” . ” Os insensíveis tecnocratas do Banco Central perderam uma ótima oportunidade de afrouxar um pouco a corda que está estrangulando o setor produtivo, que gera emprego e renda. Infelizmente, mais uma vez, o governo se curva diante dos especuladores ” , diz a entidade.
O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, diz que o BC acertou na decisão, pois acredita que após o corte além de diminuir a propensão a poupança à poupança derivada de um consumidor mais cauteloso, representa uma economia superior a R$ 11 bilhões nas despesas com serviço da dívida indexada à Selic.